Senti um gosto meio que amargo na semana passada, quando li no canal de notícias “Folha da Mata” que houve em Viçosa protesto contra o “PL do Aborto” de autoria do deputado federal Sóstenes Cavalcanti (PL/RJ), o evangélico raiz do atual, e mais conservador, parlamento da história brasileira. Para ele, o estuprador tem mais valor que a mulher, pois transforma em crime o aborto após a 22ª semana de gestação. O estuprador pode pegar 10 anos de cana e a mulher 20 anos.
Para os manifestantes de Viçosa, se aprovado, o Projeto de Lei afetará principalmente as crianças que são vítimas de estupros, cujos casos de abuso e gestações demoram a ser identificados, resultando em busca tardia aos serviços de aborto legal. Segundo o Fórum de Segurança Pública 74.930 pessoas foram estupradas no Brasil em 2022. Desse total, 61,4% eram crianças que tinham até 13 anos.
No Calçadão de Viçosa, os manifestantes empunhavam cartazes com frases como “Pela garantia do aborto legal e seguro”, “Pela vida e direitos de meninas, meninos e pessoas que gestam”, “Dignidade às pessoas que gestam”, “Contra o PL 1904”, “Aborto é questão de saúde pública”, “Pelo fim da Bancada Evangélica”, “Criança não é mãe”, “Contra o PL do estupro e o fascismo” e “Fora Arthur Lira”.
Diversos movimentos estavam presentes na manifestação em Viçosa, incluindo o Movimento de Mulheres Olga Benário, a União da Juventude Socialista (UJS), o Movimento Correnteza, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e a Marcha Mundial das Mulheres. A vereadora Jamille Gomes (PT) também participou do ato.
Os atos aconteceram também em Belo Horizonte, São João del-Rei, Barbacena, entre outras cidades. Ao longo da última semana, protestos também aconteceram em Juiz de Fora, Ouro Preto e Uberlândia.
Fiquei com um gostinho amargo na boca: porque não aconteceu em Ponte Nova? Cadê os coletivos que defendem os Direitos da Mulher ponte-novense?